por que os leões do circo não se revoltam ?
Acho que vivemos tanto olhando e falando apenas do que acontece a nossa volta que quando precisamos falar de nós mesmos nos sentimos incomodados, pra não dizer desorientados, mudos de repente. Sinto isso agora.
Tenho que escrever algo sobre a banda, e consequentemente sobre mim, pois sou parte dela, junto com mais três amigos e parceiros que somados, são a alma desse corpo.
Sonho acordado desde o dia em que dei meu primeiro passo na estrada da música. Ela me possibilita amplificar minhas idéias e ideais... vivo meus sonhos, e isso me mantém vivo.
Não vou explicar o porquê do nome ROTOR. Odeio essa pergunta. Os nomes na verdade nao têm um por que. Eles nascem numa explosão pela necessidade do momento. Os "porques" vem depois, numa necessidade de explicação empacotada (faco isso as vezes, apesar da minha crítica).
Vou começar pela pergunta "o que é o ROTOR ?"
Sem voltas, somos uma banda de Rock. Simples assim. Quatro amigos, muitas brigas e muitos abraços, egos, sonhos, intensidade... uma fábrica de momentos únicos, mágicos, numa batalha diária, com cada vitória trazendo a sensação muito maior do que realmente é na verdade, pela dificuldade tida na escalada para obtê-la.
Fizemos muita coisa juntos... somos amigos antes de sermos parceiros... a banda veio depois, e acho isso fabuloso... a banda um dia pode acabar ... mas a amizade verdadeira não... fazendo o sonho se imortalizar.
Para que a alma da banda tenha uma vida longa, precisamos ser sinceros um com o outro e ser sinceros com a banda como um todo, sendo sinceros com o que criamos.
Fizemos um novo disco e acho que fomos sinceros com ele. Começamos pela sinceridade de uma conversa com todas as pessoas envolvidas com a banda e com nós mesmos, explicando que era o momento de sairmos do universo cotidiano e das rotinas atreladas a ele, por uma única razão: um disco estava pra nascer! Ele já estava dentro de nós, precisando apenas ser exposto, parido, ou o tempo podia passar e transformá-lo em um outro disco, jamais aquele presente.
Precisávamos mais que tudo ter algo que nos agradasse, nos completasse, nos satisfizesse.
Para isso, os instantes do presente ganharam a queda de braco contra as pretensões do futuro.
Precisávamos ser honestos com nós mesmos, mais ninguém. Compusemos, tocamos, gravamos e produzimos o que realmente estávamos sentindo naqueles dias.
Lembro-me da reação que tive ao tocar a primeira música composta, "não vá se confundir", que veio como um discurso a mim mesmo, com suas frases servindo como gasolina por um bom tempo. Elas me deixavam otimista quando era preciso. Outras músicas foram surgindo então. Algumas não chegaram ao fim, outras sim, tendo sua história única.
Fomos sinceros e o disco é sincero conosco. Não há disfarce na dor, nos conflitos pessoais, nos questionamentos, nas contradições, nos desejos ... está tudo lá. Basta ouvir para sentir o que estávamos sentindo naqueles dias... um misto de diversas emoções flutuantes nas incertezas diárias.
Uma caminhada, um circo, uma conversa, um mundo de questionamentos, uma frase sugerida, uma música, um nome para o disco...
"por quê os leões do circo nao se revoltam ?"
Um disco terminado ...
Um ciclo que se encerra para outro que se inicia...
Agora vamos pra estrada e ver no que vai dar ...
Bruno.Brau
Maio de 2006
e decidiu que ia mudar, seu valor despertou
tirou a máscara que sempre usou, lavou o rosto pra alma lavar, como nunca olhou
saiu descalço e pisou no mesmo chão pra experimentar, se cortou e gostou
sem amor próprio o mendigo olhou, pediu se ele podia ajudar, ele então o beijou
sentiu-se bem mais leve e então
lembrou que era muito mais
foi ao trabalho e se indagou, esse não era seu lugar, ele se transformou
subiu na mesa, marginal, dançou um ritual para comemorar, ele se libertou
sua ferida o lembrou que tinha alguém pra perdoar, ele se perdoou
buscou os inimigos e abraçou e aos amigos foi para falar como sempre os amou
sentiu-se bem mais leve e então
lembrou que era muito mais
foi procurar quem o amou, se desculpou por não amar o amor que deixou
pegou seus sonhos nus e flutuou, não tinha amarras em nenhum lugar e partiu , caminhou
sentiu-se bem mais leve e então
lembrou que era muito mais
com tudo e todos junto a si
com toda calma foi em paz
Todas as músicas compostas por GuiMucare & BrunoBrau
Direção Artística . Claúdio Rabello
Produção . GuiMucare & BrunoBrau
Co-produção . Bozzo Barreti
Gravado nos estúdios Rotator
e Art Mix
entre maio e agosto
de 2005
Técnicos responsáveis (rotator)
Fernando Martini & Douglas Corvo
mixado e masterizado no
Art Mix estúdios
por Fabian Jorge e Guto Campos
lançamento nacional EMI Music
site oficial da banda - tour 2006
